Drauzio - Houve uma época em que se falava muito de um tratamento
cubano para vitiligo e muitos viajaram para Cuba em busca de atendimento.
Ele realmente trazia resultado?
Nuno - O tratamento cubano, de que se falou muito a respeito, era à base
de melagenina. A Sociedade Brasileira de Dermatologia considera que
o aspecto emocional e psicológico pesava mais na resposta
clínica do paciente, porque os resultados do tratamento cubano
não foram superiores aos obtidos pela fototerapia convencional.
Drauzio - Como era feito o tratamento cubano?
Nuno - Em linhas gerais, o tratamento consistia em passar uma substância
chamada melagenina na lesão e depois submetê-la a uma
aplicação de ultravioleta. Estudos comparativos feitos
na Venezuela e no México - no Brasil eles não existem
- indicaram que o tratamento cubano não era superior aos outros
tratamentos, tanto que não se fala mais nele como se falava
há dez anos.
Drauzio - Quais são os outros tratamentos preconizados para
o vitiligo?
Nuno - São inúmeros os tratamentos, porque não
existe o tratamento ideal. Depende de cada caso. Lesões pequenas
podem ser tratadas com pomadas de uso tópico à base
de corticóides. Recentemente, substâncias imunossupressoras
de ação e uso semelhantes aos do corticóide
mostraram bons resultados em alguns casos. A brasileira se chama
pinecrolimus e a americana, tacrolimus. Quando a progressão
das lesões vitiligóides é muito rápida,
podem ser receitados corticóides por via oral, mas antes é bom
afastar a possibilidade de uma doença sistêmica (diabetes,
tireoidite, lúpus ou até neoplasias) estar associada
ao vitiligo. Outro tratamento bastante utilizado, talvez o mais utilizado
para o vitiligo, é a fototerapia. O paciente é orientado
para expor-se ao sol após usar substâncias fotossensibilizantes.
Aplicadas sob a forma de cremes e loções, tornam a
pele mais sensível à ação do sol, estimulando
sua pigmentação. Para usá-las, no entanto, é preciso
seguir rigorosamente a orientação médica. Se
o tempo de exposição exceder ao que foi recomendado,
pode ocorrer queimadura que leva à formação
de nova lesão ou, ainda, queimaduras mais graves se elas foram
passadas em áreas mais extensas.
Drauzio - Essas substâncias devem ser passadas apenas na área
da lesão de vitiligo?
Nuno - Apenas na área do vitiligo. Nas áreas sadias,
o paciente deve usar protetor solar. O ideal é começar
com dois minutos de exposição ao sol e ir aumentando
gradativamente de acordo com a resposta à substância
usada. O efeito que se espera de sua aplicação é que
provoque um eritema, ou seja, que a região fique avermelhada,
sinal de que a pigmentação está sendo estimulada.